quarta-feira, 26 de março de 2008

TURMA EBERT CHAMOUN

No início do ano de 1960 iniciamos na UEG – Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ) o curso na Faculdade de Direito, então situada próximo ao Largo do Machado, em frente ao Cine São Luiz. Foram cinco anos de convívio e coleguismo diário, que eu posso testemunhar por ter freqüentado tanto o turno da manhã quanto o turno da noite. Nossa sorte foi termos tido excelentes professores em quase todas as matérias, de modo que na formatura de 1964 todos, sem exceção, trazíamos na bagagem uma sólida cultura jurídica e tínhamos todas as condições de ter sucesso em qualquer carreira do campo jurídico.

Mas, de todos os excelentes professores que tivemos, um deles marcou de forma indelével a nossa formação jurídica e pessoal. Acompanhando nossa turma, do primeiro ao último ano, tivemos na cadeira de Direito Civil o privilégio de contar com o brilhantismo e a personalidade do Professor Ebert Chamoun, escolhido ao final do curso por todos para ser o Patrono de nossa turma. Perfeito no ensino e tremendamente exigente nos exames, foi o principal responsável por nossa formação jurídica. Nós fizemos até uma “vaquinha” para comprar um gravador de fio e gravar e imprimir as aulas desse professor.

Dizem que todos os alunos de Direito amam e têm como sua primeira namorada o Direito Penal, mas acabam casando por conveniência com o Direito Civil. Isso certamente não se aplica à nossa turma. Tivemos o interesse despertado para esse campo e aprendemos a admirar a sabedoria e a meticulosidade do legislador no Código Civil.

Comigo, pelo menos, aconteceu justamente o contrário. Adorei, desde o princípio, o Direito Civil e me orgulho muito de ter sido o único aluno (pelo menos até a ocasião) a conseguir tirar nota dez em uma prova escrita com o Professor Ebert Chamoun, mas depois de formado fiz logo concurso para Juiz-auditor da Justiça Militar Federal e passei para o cargo com apenas 26 anos de idade. Daí para frente, passei a julgar apenas e tão somente crimes militares e crimes previstos na Lei de Segurança Nacional como subversão, terrorismo, seqüestro de embaixadores, até processos de aplicação de prisão perpétua e pena de morte, dos quais julguei três. Nunca mais tive contato profissional com o Direito Civil, mas nunca saiu da minha memória e certamente me ajudou muito em minha carreira a cultura jurídica adquirida naqueles cinco anos da Faculdade do Catete.

Mas essa aprovação me trouxe um dissabor. Tomei posse e fui morar em diversos Estados longe do Rio, o que me fez perder o contato com meus colegas de turma.

O que será que aconteceu com eles? Que carreira seguiram e que cargos ocuparam? Quais os fatos relevantes ou engraçados que aconteceram em suas vidas? Foram e são felizes?

Eu não sei e fiquei ignorando até há dois anos atrás, quando o colega Sizenando Lacerda me reconheceu de vista (depois de mais de quarenta anos!!!) e informou que agora era realizado anualmente o almoço de confraternização. Passei a manter contato por email com o Paulo Roberto mas, apesar de meu grande desejo de rever os colegas, problemas de saúde me impediram de comparecer.

Este mês, ingressando no Orkut, Picasa, Blogger e tudo o que o Google tem para oferecer, dei uma busca por referências à nossa turma e encontrei uma mensagem de um colega. Infelizmente ele mandou a mensagem como “Anônimo” para uma amiga e eu não pude identificá-lo.

Eis a mensagem:

Anônimo

Márcia, você também está aqui? Que legal ! Também aprendia a amar Direito Processual Civil com o Prof. José Carlos B. Moreira ele foi Paraninfo da nossa turma e nosso Patrono foi Ebert V Chamoun, que era o terror e a grande sumidade em Direito Civil. Alguém aí ficou numa oral com ele ? Nossa, tinha gente que baixava hospital , era uma tortura.. Nunca esquecerei.

Por este motivo, resolvi fundar uma comunidade no Orkut e, para os que não quiserem se filiar ao Orkut, criar um Blogger para a turma dos formandos da Faculdade de Direito da UEG (atual UERJ) no ano de 1964, esperando que os colegas tomem conhecimento e possamos retomar os contatos depois de quarenta e quatro anos.

Que tal? Alguém interessado?

Com um grande abraço,

Alzir Carvalhaes Fraga

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi, estou estudando os autores do Código Civil de 2002 e gostaria de saber algumas informações sobre o professor Erbert Chamoun. VOc^re poderia me ajudar?
Daniela Barcellos (daniela.barcellos@fgv.br)