Mas, de todos os excelentes professores que tivemos, um deles marcou de forma indelével a nossa formação jurídica e pessoal. Acompanhando nossa turma, do primeiro ao último ano, tivemos na cadeira de Direito Civil o privilégio de contar com o brilhantismo e a personalidade do Professor Ebert Chamoun, escolhido ao final do curso por todos para ser o Patrono de nossa turma. Perfeito no ensino e tremendamente exigente nos exames, foi o principal responsável por nossa formação jurídica. Nós fizemos até uma “vaquinha” para comprar um gravador de fio e gravar e imprimir as aulas desse professor.
Dizem que todos os alunos de Direito amam e têm como sua primeira namorada o Direito Penal, mas acabam casando por conveniência com o Direito Civil. Isso certamente não se aplica à nossa turma. Tivemos o interesse despertado para esse campo e aprendemos a admirar a sabedoria e a meticulosidade do legislador no Código Civil.
Comigo, pelo menos, aconteceu justamente o contrário. Adorei, desde o princípio, o Direito Civil e me orgulho muito de ter sido o único aluno (pelo menos até a ocasião) a conseguir tirar nota dez em uma prova escrita com o Professor Ebert Chamoun, mas depois de formado fiz logo concurso para Juiz-auditor da Justiça Militar Federal e passei para o cargo com apenas 26 anos de idade. Daí para frente, passei a julgar apenas e tão somente crimes militares e crimes previstos na Lei de Segurança Nacional como subversão, terrorismo, seqüestro de embaixadores, até processos de aplicação de prisão perpétua e pena de morte, dos quais julguei três. Nunca mais tive contato profissional com o Direito Civil, mas nunca saiu da minha memória e certamente me ajudou muito em minha carreira a cultura jurídica adquirida naqueles cinco anos da Faculdade do Catete.
Mas essa aprovação me trouxe um dissabor. Tomei posse e fui morar em diversos Estados longe do Rio, o que me fez perder o contato com meus colegas de turma.
O que será que aconteceu com eles? Que carreira seguiram e que cargos ocuparam? Quais os fatos relevantes ou engraçados que aconteceram em suas vidas? Foram e são felizes?
Eu não sei e fiquei ignorando até há dois anos atrás, quando o colega Sizenando Lacerda me reconheceu de vista (depois de mais de quarenta anos!!!) e informou que agora era realizado anualmente o almoço de confraternização. Passei a manter contato por email com o Paulo Roberto mas, apesar de meu grande desejo de rever os colegas, problemas de saúde me impediram de comparecer.
Este mês, ingressando no Orkut, Picasa, Blogger e tudo o que o Google tem para oferecer, dei uma busca por referências à nossa turma e encontrei uma mensagem de um colega. Infelizmente ele mandou a mensagem como “Anônimo” para uma amiga e eu não pude identificá-lo.
Eis a mensagem:
Anônimo
Márcia, você também está aqui? Que legal ! Também aprendia a amar Direito Processual Civil com o Prof. José Carlos B. Moreira ele foi Paraninfo da nossa turma e nosso Patrono foi Ebert V Chamoun, que era o terror e a grande sumidade em Direito Civil. Alguém aí ficou numa oral com ele ? Nossa, tinha gente que baixava hospital , era uma tortura.. Nunca esquecerei.
Por este motivo, resolvi fundar uma comunidade no Orkut e, para os que não quiserem se filiar ao Orkut, criar um Blogger para a turma dos formandos da Faculdade de Direito da UEG (atual UERJ) no ano de 1964, esperando que os colegas tomem conhecimento e possamos retomar os contatos depois de quarenta e quatro anos.
Que tal? Alguém interessado?
Com um grande abraço,
Alzir Carvalhaes Fraga
Um comentário:
Oi, estou estudando os autores do Código Civil de 2002 e gostaria de saber algumas informações sobre o professor Erbert Chamoun. VOc^re poderia me ajudar?
Daniela Barcellos (daniela.barcellos@fgv.br)
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