segunda-feira, 21 de abril de 2008

Quem sou eu?

ALZIR CARVALHAES FRAGA

Essa ilustre autoridade
Mudou-se para a cidade
e dela não saiu mais
- Dizer o nome ? Jamais.
Só digo as iniciais;
Doutor Alzir Carvalhaes.

Desportista de renome,
Agora as manhãs consome
Na disputa de um "set".
E sem que engano eu cometa;
Não mais empunha a caneta,
Agora empunha a raquete!

Um respeitado tenista,
Exímio na quadra e pista,
Que saque forte ele tem !
No revés e na direita,
Ele não só rola e deita,
Dá pingadinha também...

Esse Juiz-auditor
Julgava com muito amor
E por aí você sente
Que até o réu condenado
Depois do caso julgado
Pra cadeia ia contente!

Doutor Luis Carlos Pessoa
Quis apanhá-lo "na boa",
"Doutor Alzir, me diria
(sem querer fazer intriga)
Porque que há tanta briga
Aqui nesta auditoria ?"

"- Porque moças e rapazes,
Diligentes e capazes,
Tinham muito boa vida.
Depois que eu aposentei
Já descobriram que a Lei
É cega, mas é sabida."

Se lamentamos o tempo
Já levado pelo vento
Que agora não volta mais,
Ele está se divertindo,
Aproveitando e sorrindo,
Curtindo esta vida em paz !

Além de tudo, é um poeta,
Que na verdade é um esteta
E um grande trovador
Ele não é só das musas,
Também faz coisas confusas,
Como o tal computador...

Ainda se vê seu brilho
Na forma de um trocadilho,
Uns até de arrepiar...
Mas, meu leitor complacente,
É caso bem diferente,
O caso que vou narrar:

Na Avenida Rio Branco.
O Alzir, que é muito franco,
Vê, num grupo, um desafeto.
Estava bem amolado,
Nervoso e contrariado,
E dá-lhe um berro direto:

"- Venha cá, seu salafrário,
Tipo cretino, ordinário,
Pra saber como se faz"
E em vista da gritaria
Que o Alzir Fraga fazia
Todo mundo olhou para trás!

Cresceu-lhe o aborrecimento,
E, ele, mais violento,
Levou pra vala comum:
- Não senhores; à vontade,
Tenham toda a liberdade,
Pois eu chamei... foi só um !

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